“Crescemos uns com os outros”

Paulo Amado, director da InterMagazine, contextualiza a relação da revista com as Equipas, lembrando ainda a importância de projectos de valorização, identificação e recolha de receituário tradicional em Portugal.

 

A Inter é um dos patrocinadores das Equipas Olímpicas. Como surge essa iniciativa?

Surge com absoluta naturalidade, na medida em que as equipas olímpicas são uma iniciativa da ACPP, nossa parceira de longa data, anterior à maior parte de nós. A Inter surge como parte das Edições do Gosto, enquadrada enquanto patrocinadores, mas somos mais parceiros e amigos, acredito. Partilhamos todos uma causa comum.

Os restantes patrocinadores são, na maioria, empresas ligadas ao sector alimentar. Enquanto imprensa, quão diferente é o apoio que a Inter dá às Equipas?

As equipas têm um espaço na revista onde demonstram a sua actividade e isso é muito importante para todos. Acredito que o nosso maior papel está em ampliar o mais possível o trabalho árduo de todos os elementos das equipas. Mesmo assim acho que ainda não o estamos a fazer com toda a evidência necessária. Uma das tarefas da revista tem sido acompanhar o desenvolvimento e evolução dos profissionais de cozinha.

Que perspectiva evolutiva tem das Equipas?

As equipas dependem em primeira instância da ACPP, depois dos Capitães e por último mas principalmente, dos seus membros. Estar lá, fazer parte, é abdicar do pouco descanso, é querer mais com grande espírito de sacrifício. É entrar numa viagem pessoal e profissional de grande nível. Para quem conseguir lá chegar, mantendo os olhos abertos, é uma oportunidade única de conhecer o mundo da alta cozinha, ao nível nacional e internacional. A minha perspectiva é positiva, mas compreendo que é muito trabalhoso para todos.

O que significa para a Inter apoiar as Equipas Olímpicas de Culinária?

Acreditar. Estar ao lado dos que acreditam que vale a pena construir de raiz projectos que dão grande contributo a dezenas de profissionais que ganham. Assim ganhamos todos.

Numa palavra como definiria a ligação entre a Inter e as Equipas?

Futuro imenso.

Como avalia o trabalho dos cozinheiros membros das Equipas?

Destaco a persistência dos capitães e dos vários elementos que dão apoio ao que é a estrutura de gestão. António Bóia, Carlos Madeira, Paulo Pinto, João Simões, Celestino Grave, Fausto Airoldi. Incentivo com alegria todos os elementos que fazem parte das equipas júnior e sénior.

Que peso têm na culinária em Portugal? Pensa que poderiam ter mais visibilidade ou reconhecimento?

O peso é grande. Acredito que já há uma escola, na medida em que 20 anos de competição, de trabalho, perseverança, sacrifício, estudo, técnica, abnegação, capacidade de se colocar à prova, tiveram um contributo que poucos perceberão. Há hoje jovens por Portugal e pelo mundo, que tiveram contacto com este espírito e isso fez deles melhores profissionais, estou certo.

De que forma o trabalho das Equipas consegue dar retorno ao apoio da Inter?

É para nós uma honra ter parceiros que dão um contributo tão profundo quanto este. Ficamos todos maiores. Crescemos uns com os outros.

A acompanhar o mundo da culinária em Portugal nos últimos anos, quais são as principais conclusões a que chega?

Que evolução tão grande tivemos nós. Não fora a característica inveja e a fraca auto-estima, estaríamos todos muito mais felizes e com mais união.

O perfil de um Chefe mudou muito nos últimos anos?

Numa perspectiva aberta, o perfil de um chefe está definido. Sabe o que são as bases de cozinha, conhece os produtos no seu tempo, domina as técnicas, receitas e utensílios. Gere bem pessoas e controla orçamentos. Concilia a necessidade do sabor com a obrigação de controlar o impacto na saúde do seu cliente, para cuja satisfação trabalha. O que temos vindo a ver é que há cada vez mais portugueses a contribuir para este movimento.

Acha que a Cozinha portuguesa está suficientemente representada fora do país? O que poderia ser feito?

Será que tem o ordenamento interno suficiente para se esperar outro ordenamento lá fora? Ainda há muito trabalho a fazer. Se aqui ainda não nos entendemos todos acerca do que são e como se fazem os nossos principais pratos, não podemos esperar melhor fora do país. É muito importante retomar os princípios da Comissão Nacional de Gastronomia e que o Prove Portugal seja duradouro e abrangente. Tal como é muito importante que ganhem corpo os projectos de valorização, identificação e recolha de receituário tradicional. Faltam-nos mais livros em Português. Falta que todos os cozinheiros se associem na ACPP e que isso seja natural. Façamos aqui o nosso trabalho para rapidamente darmos contributo aos que estão fora do país.

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