Dia 5 | Abertura oficial do concurso e dos dias de stress

O trabalho para as provas dos próximos dias não vem de ontem. Vem de já longe. Dos últimos meses, dos últimos anos, de competições anteriores, de folgas que deixaram de ser folgas, de férias que nunca o chegaram a ser. Durante umas horas, vários tipos de pratos vão estar expostos. Cada equipa tem poucas horas para montar a mesa. A cada uma cabe gerir esse tempo, sem o ultrapassar, para que à hora marcada todas as mesas estejam prontas para serem vistas pelo júri. Só que aquilo que ali fica exposto durante umas horas – aos olhos dos visitantes, aos olhos dos outros chefs em concurso e aos olhos dos próprios chefs que o fizeram – leva muio tempo até estar pronto. Discute-se qual a dimensão da palavra ‘cozinhar’ quando se entra numa competição de arte culinária, até porque a avaliação não é feita só ao sabor: é feita ao que os olhos vêem, ao impacto das cores e do aspecto, dos brilhos e das conjugações.

Hoje foi a abertura das Olimpíadas de Culinária 2012, em Erfurt, evento que voltou a juntar milhares de cozinheiros num espaço só. Dizia-se, na abertura, que é possível que aqui se alcancem recordes desconhecidos. Na cerimónia de abertura – este ano consideravelmente mais fraca do que há quatro anos atrás – as várias equipas entram, uma de cada vez, e sentam-se por filas. A entrada dá-se pela ordem alfabética dos países, excepto a Alemanha que, como país anfitrião do evento, entra em último lugar. Tem direito a música mais alta e aplausos em maior quantidade. Portugal sentou-se entre a Polónia – como uma equipa de dezenas de cozinheiros – e a Roménia. Antes da entrada na cerimónia, os chefs esperaram nos corredores. O hábito é trocar pins: cada um leva uma mão-cheia de pins da sua equipa e trocam-se uns países pelos outros. Nesse tempo, reencontram-se chefs com quem se cruzaram noutras competições, relembram-se outros concursos.

Mas o nervosismo já se sente. Há quem pouco tenha dormido: a cerimónia é, na verdade, um tempo que permite a muitos dos chefs dormirem meia-hora enquanto esperam que acabe. Depois, regressam às cozinhas e retomam o trabalho: uns estão já mais próximos das provas, outros ainda têm um dia de trabalho pela frente antes de entrarem na prova.

Para a equipa júnior, que acaba este ano como equipa, as próximas horas são agitadas. Para alguns é a primeira vez que vêm às Olimpíadas; para outros é a segunda vez, mas não por isso há menos nervosismo. O cansaço acumula-se, mas já não dá para parar.

A equipa sénior aproveita mais esta noite e o dia de amanhã para preparar a exposição do menu, que será no domingo. Dia esse que a equipa júnior terá para preparar a prova de segunda-feira.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: