Dia 7 | Com quatro cozinheiros também se fazem umas Olimpíadas

São só quatro. Já lá vai o tempo em que a delegação portuguesa nas Olimpíadas chegou a ser a maior de todas. O tempo vai passando e desde 1992 já muitos cozinheiros entraram e saíram das Equipas Olímpicas. Algumas recordações desses anos partilham-se quando se chega novamente a umas Olimpíadas. Há comparações que inevitavelmente são feitas. Mas este ano a equipa sénior é composta por quatro elementos. Outras equipas participantes – como a da Polónia, da Alemanha ou da Suíça, por exemplo – tem dezenas de membros. Trazem camiões e autocarros, com as caras dos chefs coladas em tamanho gigante nos contentores que trazem. Quando chega a hora de preparar a exposição da mesa, os membros do júri têm de garantir que há um número equilibrado de pessoas a montar a mesa de cada equipa. Hoje, quando a equipa sénior chegou ao local da exposição, já muitas outras equipas lá estavam. O júri passeava-se entre os cozinheiros que, atarefados, tentavam garantir que antes das sete da manhã a mesa ficava pronta.

Numa dessas conversas, entre dois membros do júri, um comentava com o outro que ali, na mesa de Portugal, não havia muito com que se preocupar. “São só estes”, disse para o outro. Poderia parecer tarefa impossível, mas não foi. Ainda antes de muitas outras equipas abandonarem a zona de exposição – se a equipa não abandona o local antes das 7h é penalizada – já a equipa portuguesa tinha libertado o espaço. Tudo vem detalhadamente preparado, pensado e organizado.

Enquanto punham os mais de vinte pratos nos locais certos na mesa e lhes davam os últimos retoques, entre si, os membros da equipa comentavam: ‘nem ninguém acredita que tudo isto foi feito por apenas quatro pessoas’. E é verdade. À volta das outras mesas eram dezenas de cozinheiros os que, de olhar perdido, acompanhavam os movimentos dos que eram autorizados a montar a mesa. Todos eles com poucas horas de sono, pois para a preparação das dezenas de pratos todos acabam por colaborar.

Chegadas as sete horas, toca um alarme que lembra que o limite terminou. Entreolham-se aqueles que chegaram mais tarde, que ainda têm a mesa por montar e que já contam com uma perda de pontos. Terminada a montagem da mesa, partilha-se o alívio e a descompressão das últimas horas. São mais de vinte e quatro horas sem dormir que agora é preciso compensar. Até porque, depois de amanhã, chega a prova seguinte. Preparar uma entrada, prato e sobremesa para 110 pessoas.

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